O Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal – COREN-DF, repudia a medida tomada pelo Conselho Federal de Medicina – CFM, que ajuizou ação ordinária contra o GOVERNO DO DISTRITO FEDERAL, objetivando suspender os efeitos dos artigos 1º, 2º e 3º da Portaria n.º 218/2012 da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, que autoriza e normatiza a prescrição de medicamentos e a solicitação de exames pelos Enfermeiros que atuam nos Programas de Saúde Pública do Distrito Federal. O COREN-DF não admitirá que o Conselho Federal de Medicina venha a legislar sobre o exercício legal da Enfermagem que é composta por profissionais altamente qualificados, extremamente competentes que realizam um serviço ético, moral e sério para a sociedade brasileira, em especial à população do Distrito Federal. O Conselho Federal de Medicina tenta com uma ação descabida proibir a Enfermagem de prescrever medicamentos estabelecidos em programas de saúde pública, rotina esta, que já vem sendo exercida há vários anos pelos Enfermeiros conforme autorizado no artigo 11, inciso II, alínea “c”, da Lei 7498/86. Ressalte-se que se hoje temos no Distrito Federal uma assistência básica de excelência e qualidade à saúde, se dá pelo empenho e exercício regular de profissionais altamente qualificados da Enfermagem. O COREN-DF não permitirá que a população, em especial a mais carente, venha a ser prejudicada ou até mesmo que seja colocada em risco. Risco esses, como doenças que podem ser evitadas, prejudicando assim a qualidade de vida da sociedade. Enquanto em países desenvolvidos as equipes de saúde buscam o trabalho em equipe em prol de um único objetivo, lamentavelmente o Conselho Federal de Medicina, anda na contramão e parece desconhecer o principal objetivo, pilar fundamental das ações básica da saúde. Não temos corporativismo, não queremos reserva de mercado, queremos simplesmente que o livre exercício legal da Enfermagem seja respeitado. Iremos tomar todas às providências cabíveis para que pessoas com atitudes retrógradas não venham a interferir e prejudicar a saúde da população.

Nº 009/2004 Locais para administração por via intramuscular das medicações Benzilpenicilinas Benzatina e Potássica - Procaína e demais medicações aquosas de volume de 1,5 até no máximo 5ml

Parecer Coren

Nº 009/2004 Locais para administração por via intramuscular das medicações Benzilpenicilinas Benzatina e Potássica - Procaína e demais medicações aquosas de volume de 1,5 até no máximo 5ml

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Criado em Quarta, 29 Setembro 2004

PARECER COREN-DF N° 009/2004

ASSUNTO: Locais para administração por via intramuscular das medicações Benzilpenicilinas Benzatina e Potássica - Procaína e demais medicações aquosas de volume de 1,5 até no máximo 5ml.

ANALISE:

CONSIDERANDO Giovani (2002), o volume máximo a ser administrado pela via intramuscular é de 4ml, levando-se em consideração a estrutura muscular do paciente que varia com a região e a idade, no adulto o volume máximo absorvido pela região glútea é de 4ml, a do vasto lateral da coxa 3ml e do deltóide no máximo 2ml.

CONSIDERANDO Koch et ali (1996), o volume máximo de volume para aplicação na região glútea é de 5ml, no deltóide 3ml, não fazendo referência a região vasto lateral da coxa.

CONSIDERANDO Cassiani (2001), a seleção do local para aplicação de injeção intramuscular é crucial para uma administração segura, para tanto a área deve estar livre de infecções ou necroses, vasos e nervos importantes devem ser mantidos à distância e a musculatura deve ser suficientemente grande para absover o medicamento. Deve-se levar em consideração a idade e atividade do paciente, o tipo de medicamento e a irritabilidade da droga.

A região ventro glútea por não encontrar-se localizada próxima a nervos e artérias principais é a região indicada para grandes volumes de injeção, não excedendo-se a 5ml.

A região deltoidiana é facilmente acessível, entretanto está próxima ao nervo radial e vasos, além de absover um pequeno volume, no máximo 2ml.

A região da face ántero-lateral da coxa deve ser devidamente e precisamente localizada, devendo ser feita a aplicação com angulação oblíquia ao eixo longitudinal da perna e em direção podalíca (Castellanos, 1987). A agulha deve ser inserida no quadrante superior lateral da coxa, direcionada inferiormente para um ângulo de 45° para a superfície, com o paciente na posição segura.

O volume máximo neste sítio não deve exceder 4ml em adultos e1a 2ml em crianças com menos de 2 anos de idade.

A região dorso-glútea tem a desvantagem da proximidade com estruturas nervosas e artérias principais, sendo esta sua maior contra indicação. O volume máximo aplicado não deve exceder 5ml.

 

CONSIDERANDO Carey at ali. (2002), a administração de medicamentos parenterais intramusculares nas regiões dorso-glútea, ventro glútea e vasto lateral da coxa,l a 4 ml, não devendo exceder o volume de 5ml, sendo que na região deltoidiana o volume máximo deve ser 4ml.

 

CONSIDERANDO Kawamoto (2000), nas regiões glúteas e vasto lateral da coxa o volume a ser administrado não pode exceder 5ml e na região deltoidiana 3ml, por serem as regiões dorso glútea e deltoidiana próximas as estruturas nervosas e artérias principais, o risco de complicações como lesões nervosas, abcessos e lesões do tecido subcutâneo, poderão ocorrer com maior frequência.

 

CONSIDERANDO o Dicionário de Administração de Medicamentos na Enfermagem (2003/2004), a administração de Penicilinas G Potássica e G Benzatina, devem ocorrer em músculos de grande extensão e maior capacidade de absorção. As mesmas devem ser homogeinizadas durante o preparo através da agitação do frasco e aplicadas lentamente. Deve-se evitar massagear o local da aplicação e evitar áreas com estruturas importantes como grandes vasos e nervos.

 

CONSIDERANDO o Dicionário de Especialidades Farmacêuticas - DEF (2003/2004), as Benzilpenicilinas devem ser administradas exclusivamente pela via intra muscular profunda. O frasco deve ser rigorosamente agitado até a ocorrência de completa homogenização.

Recomenda-se a administração profunda, preferencialmente no quadrante superior D ou E do glúteo. Em lactentes e crianças na face lateral da coxa. Para doses repetidas, recomenda-se variar o local de aplicação. Não deve-se administrar a medicação próximo a nervos e vasos sanguíneos, pois estas medicações podem causar sérias lesões neuromusculares. A medicação deve ser administrada de forma lenta e contínua e caso ocorra dor intensa a mesma deve ser suspensa.

 

SOMOS DE PARECER QUE:

Em relação aos locais de administração de medicamentos por via intramuscular, a região deltoidiana por suas características próprias de abrigar vasos e nervos importantes e por seu tamanho e capacidade de absorção só deve ser usada para administrar medicamentos com volume de l a 3ml, devendo-se jamais exceder-se a 4ml.

A região vasto lateral da coxa apresenta características propícias para aplicação de no máximo 5ml de volume, desde que observada técnica adequada de aplicação no tocante à localização e angulação da agulha.

A região dorso glútea, apesar de sua extensão e capacidade de absorção de grande volume, a administração não deve exceder a 5ml. Devido a existência de estruturas nervosas e grandes vasos importantes esta via é contra indicada para aplicação de medicamentos irritantes e lesivos.

A região ventro glútea, apesar de pouco utilizada em nosso meio, apresenta maior segurança na aplicação, além de apresentar capacidade para um grande volume muscular e uma área pouco vascularizada, sem a presença de nervos importantes e grandes vasos. O volume máximo de aplicação é de 5ml.

Em relação às Penicilinas G Benzatina e G Procaína recomenda-se que as mesmas sejam administradas exclusivamente pela via intra muscular profunda. Deve-se

atentar para a perfeita homogeinização durante o preparo, variando-se o local de aplicação, no caso de doses repetidas, nas regiões do glúteo e vasto lateral da coxa. Deve-se obrigatoriamente seguir-se as regras para administração de medicamentos, evitando-se vasos sanguíneos, por esta medicação ser passível de provocar lesões neurovasculares, observando-se também reações de dor intensa de caráter insuportável e anafílaxia, neste último caso, sempre ter a mão material para reanimação cárdio-respiratória, quando fora da unidade hospitalar.

Brasília, 27 de agosto de 2004.

 

Dr. PAULO CÉSAR DE AZEVEDO

COREN-DF n° 73702

Fiscal

 

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